O Conselho de Segurança da ONU vota nesta terça-feira em uma resolução significativamente enfraquecida que pede a reabertura do Estreito de Hormuz, abandonando o objetivo original dos países do Golfo de garantir autorização para o uso de força contra o bloqueio iraniano.
A votação, marcada para as 11h00 (horário de Brasília), ocorre horas antes do prazo final do presidente Donald Trump, às 20h00, para que o Irã feche um acordo ou enfrente ataques militares dos EUA a usinas e pontes.
O Bahrein, com apoio dos Estados Unidos e dos exportadores de petróleo do Golfo, inicialmente buscou uma resolução que autorizasse "todos os meios defensivos necessários" para proteger o transporte comercial. Após a oposição da China, Rússia e França, várias revisões removeram a autorização explícita de uso de força.
Não podemos aceitar o terrorismo econômico que afeta nossa região e o mundo; o mundo inteiro está sendo afetado pelos desdobramentos
Jamal Alrowaiei, embaixador do Bahrein na ONU — RFI
O rascunho mais recente da resolução apenas "incentiva fortemente" os Estados a coordenarem esforços defensivos e escoltarem navios mercantes pelo estreito. Exige que o Irã "cessem imediatamente todos os ataques contra navios mercantes e comerciais", mas não prevê nenhum mecanismo de enforcement.
A RFI aborda a história pela perspectiva da diplomacia multilateral, destacando o papel da França na moderação da resolução ao insistir em linguagem defensiva. A emissora apresenta a França como um mediador responsável que busca evitar a escalada militar, ao mesmo tempo em que apoia os direitos legítimos de navegação.
A Al Jazeera Arabic foca no processo diplomático e na oposição sino-russa à autorização militar, apresentando o conflito como uma tensão mais ampla entre Oriente e Ocidente. A emissora enfatiza as preocupações com a estabilidade regional, evitando tomar partido na confrontação entre EUA e Irã.
O Infobae aborda a história pela perspectiva do impacto econômico e do procedimento diplomático, destacando como o fechamento do Estreito afeta os mercados globais. A publicação apresenta a resolução como uma resposta necessária, mas enfraquecida, à desestabilização econômica, refletindo preocupações latino-americanas com a estabilidade comercial.
A The Hindu Business Line aborda a votação da resolução da ONU pelo viés econômico, enfatizando as preocupações com a segurança marítima e o aumento dos preços do petróleo, em vez da retórica de escalada militar que domina a cobertura ocidental. Isso reflete o posicionamento estratégico da Índia como grande importador de petróleo que mantém relações tanto com o Irã quanto com os EUA, priorizando a estabilidade econômica em vez de tomar partido na confrontação geopolítica.
A cobertura da Reuters acessada na Arábia Saudita enfatiza o enfraquecimento diplomático da resolução da ONU devido à oposição chinesa, apresentando a história como um fracasso institucional em vez de focar nos ultimatos de Trump ou na desafiadora postura iraniana. Esse ângulo técnico e processual alinha-se à preferência saudita por soluções multilaterais que não forcem o país a escolher entre sua parceria de segurança com os EUA e seus complexos cálculos regionais envolvendo o Irã.
A cobertura do The Guardian enfatiza o comportamento errático de Trump e suas ameaças repletas de palavrões, apresentando a crise pela perspectiva da liderança imprevisível dos EUA, em vez da agressão iraniana. Essa representação crítica da tomada de decisão americana ressoa com a postura cada vez mais independente da política externa da Turquia e sua frustração com o que vê como intervenções desestabilizadoras dos EUA na região.
O Irã mantém um bloqueio efetivo da principal via navegável desde 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram operações militares contra Teerã. O fechamento fez os preços do petróleo dispararem e interrompeu cadeias globais de suprimentos, já que o estreito é rota de trânsito para cerca de 20% do petróleo mundial.
A China emergiu como o principal obstáculo a uma linguagem mais forte, argumentando que autorizar o uso de força "legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força" e levaria a uma maior escalada. Pequim, o maior importador de petróleo do mundo via o estreito, coordenou-se com a Rússia para se opor à intervenção militar.
A forma fundamental de resolver a questão do Estreito era alcançar um cessar-fogo o mais rápido possível
Wang Yi, ministro das Relações Exteriores da China — The New Arab
A França inicialmente se opôs à resolução, mas suavizou sua posição após a inclusão de linguagem defensiva. No entanto, o texto enfraquecido enfrenta um desfecho incerto, exigindo nove votos favoráveis e nenhum veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança.
A manobra diplomática reflete tensões mais profundas sobre como responder ao bloqueio iraniano. Os países do Golfo veem o fechamento como uma guerra econômica que exige uma resposta enérgica, enquanto China e Rússia preferem soluções diplomáticas que evitem a escalada militar.
Mesmo que seja aprovada, a resolução representaria uma vitória vazia para seus patrocinadores. Sem autorização de uso de força, ela oferece pouco além de uma condenação simbólica das ações do Irã, deixando a crise fundamental sem solução enquanto o prazo militar de Trump se aproxima.