Kanye West anunciou que está adiando indefinidamente seu show agendado para 11 de junho em Marselha, após crescente pressão das autoridades francesas, que ameaçaram impedi-lo de entrar no país devido ao histórico de declarações antissemitas.
A decisão ocorre após o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, sinalizar sua determinação em evitar a apresentação do rapper na segunda maior cidade da França. O prefeito de Marselha, Benoît Payan, já havia declarado em março que West não era bem-vindo em sua cidade.
Recuso-me a permitir que Marselha seja uma plataforma para o ódio e o nazismo descarado
Benoît Payan, prefeito de Marselha — France 24
West, que agora usa o nome Ye, tem enfrentado ampla condenação por uma série de ações e declarações antissemitas nos últimos anos. Em 2024, lançou uma música intitulada "Heil Hitler" e vendeu mercadorias com suásticas. Também já usou roupas com o slogan racista "White Lives Matter" e promoveu produtos da banda de metal neonazista Burzum.
Após muita reflexão, decidi adiar meu show em Marselha, na França, até novo aviso
Kanye West — X (antigo Twitter)
O rapper atribuiu seu comportamento controverso a problemas de saúde mental, citando especificamente um diagnóstico de transtorno bipolar e o que descreveu como danos cerebrais. No início de 2026, emitiu desculpas públicas e publicou um anúncio de página inteira no The Wall Street Journal, reconhecendo que um "episódio maníaco de quatro meses de comportamento psicótico, paranoico e impulsivo" no início de 2025 havia "destruído sua vida".
A França se junta ao Reino Unido na proibição efetiva de West de se apresentar. As autoridades britânicas negaram sua entrada no início deste mês, forçando o cancelamento dos shows planejados em Londres em julho. West, em seguida, ofereceu-se para dialogar com a comunidade judaica britânica.
A situação destaca o equilíbrio complexo que os governos europeus enfrentam entre liberdade de expressão e a prevenção de plataformas para discurso de ódio. Embora West tenha se desculpado e retomado as turnês nos Estados Unidos, seu retorno à Europa continua repleto de obstáculos políticos e legais.
Os shows agendados na Holanda permanecem de pé, por enquanto. Ele deve se apresentar duas vezes no Gelredome de Arnhem nos dias 6 e 8 de junho, apesar dos apelos de vários partidos políticos holandeses por uma proibição de entrada. As autoridades holandesas afirmaram que West não representa atualmente uma ameaça à ordem pública ou à segurança nacional, embora a situação ainda esteja sob análise.
Veículos franceses enfatizam a postura proativa do governo contra o antissemitismo e enquadram o adiamento como uma vitória pelos valores republicanos franceses. Eles destacam a determinação dos líderes locais em evitar que a França se torne uma plataforma para discurso de ódio, posicionando a decisão como parte do compromisso mais amplo do país no combate ao antissemitismo após o recente aumento de incidentes antijudaicos.
A mídia holandesa apresenta a história por uma lente legal e processual, focando nos requisitos técnicos para proibições de entrada e na distinção entre discurso controverso e ameaças reais à ordem pública. Ela enfatiza o debate político em andamento sobre se West atende ao limiar legal para exclusão, refletindo a abordagem tradicionalmente liberal da Holanda em relação à liberdade de expressão, equilibrada com preocupações com discurso de ódio.
A cobertura espanhola enquadra a história como parte de uma tendência europeia mais ampla de responsabilização de figuras públicas que promovem antissemitismo. Ela enfatiza o efeito dominó entre as nações europeias e posiciona os cancelamentos no contexto das crescentes preocupações com o extremismo online, refletindo a própria experiência da Espanha no combate ao extremismo na internet.