Milhares se reuniram na frente da prefeitura de Saint-Denis no sábado para protestar contra o racismo após o subúrbio eleger, pela primeira vez, um prefeito negro que enfrentou uma onda de ataques discriminatórios após sua vitória em março.

Bally Bagayoko, que venceu a eleição para prefeito no primeiro turno em 15 de março, convocou a manifestação após semanas de comentários racistas e assédio desde que assumiu o cargo. O político de 55 anos, de origem malinesa, representa a La France Insoumise, partido de extrema-esquerda liderado por Jean-Luc Mélenchon.

A polêmica eclodiu após aparições no CNews, canal de televisão de direita, onde comentaristas fizeram comparações racistas. Nos dias 27 e 28 de março, convidados associaram Bagayoko à "família dos grandes macacos" e criticaram o que chamaram de sua atitude de "macho dominante", traçando paralelos com lideranças tribais primitivas.

"Estamos em 2026, é vergonhoso ouvir tais comentários!"

Viemos dizer com firmeza e de forma definitiva nosso apego visceral aos valores da República encarnados por aqueles que são herdeiros da imigração

Bally Bagayoko, Prefeito — RFI

Segundo a France Info, a prefeitura de Bagayoko recebe diariamente ligações perguntando se é a "prefeitura dos macacos" ou a "prefeitura de negros e árabes". Essas ligações parecem estar ligadas a uma versão distorcida de uma declaração pós-eleição de Bagayoko, na qual ele afirmou que Saint-Denis é "a cidade dos reis e do povo vivo", que foi deturpada em círculos de direita para sugerir que ele teria dito "cidade de negros".

◈ How the world sees it6 perspectives
Mostly Analytical1 Supportive4 Analytical1 Critical
🇫🇷France
Le Monde
Supportive

O Le Monde enquadra isso como uma manifestação legítima contra o racismo que defende os valores republicanos diante de falhas institucionais. O veículo enfatiza o chamado do prefeito pela unidade e apresenta o protesto como uma resposta necessária aos ataques discriminatórios, refletindo a luta contínua da França com seu legado colonial e sociedade diversa.

🇩🇪Germany
Spiegel Online
Analytical

O Spiegel apresenta isso como um exemplo preocupante do crescente racismo em democracias europeias, focando na resposta legal e na responsabilidade institucional. A perspectiva alemã destaca a importância da ação do Ministério Público e da responsabilidade da mídia, vendo isso pelo prisma das normas democráticas e regulação de discurso de ódio.

🇳🇱Netherlands
NOS
Critical

O NOS enquadra o incidente como evidência do clima racial deteriorado na França e da normalização da discriminação. A mídia holandesa enfatiza vozes populares e preocupações sistêmicas, apresentando isso como parte de uma tendência europeia mais ampla de intolerância racial que requer resistência ativa, não aceitação passiva.

🇮🇳India
france24.com
Analytical

Várias milhares de pessoas marcharam pelas ruas do maior subúrbio de Paris no sábado para denunciar o racismo após o recém-eleito prefeito negro de Saint-Denis, Bally Bagayoko, ter sido alvo de desinformação racista…

🇸🇦Saudi Arabia
dw.com
Analytical

O prefeito de esquerda Bally Bagayoko tem sido alvo de abusos racistas desde que obteve maioria clara no primeiro turno. O Ministério Público investiga comentários feitos em rede nacional de televisão.

🇹🇷Turkey
theguardian.com
Analytical

Bally Bagayoko, que foi alvo de abusos racistas após vencer a prefeitura de Saint-Denis, promete combater a desigualdade para conter divisões cada vez mais profundas

AI interpretation
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O Ministério Público francês abriu investigações tanto sobre o conteúdo do programa de televisão quanto sobre mensagens de ódio online direcionadas ao prefeito. O ministro do Interior, Nuñez, expressou choque com os comentários na televisão, enquanto a ministra da Cultura, Pégard, condenou a retórica.

A liberdade de expressão não pode ir contra as regras do Estado de direito

Pégard, Ministra da Cultura — NOS

A manifestação contou com apoio de toda a esquerda política, incluindo Mélenchon, a líder parlamentar Mathilde Panot e representantes do Partido Socialista. Os manifestantes carregavam cartazes com dizeres como "Queremos muitos prefeitos negros contra a praga marrom", em referência a movimentos de extrema-direita.

Entre a multidão, Kantéba Camara-Sissoko, assistente de creche de 55 anos, expressou indignação com a cobertura da televisão.

Eu disse a mim mesma: 'Estou sonhando, é um pesadelo.' Estamos em 2026, é vergonhoso ouvir tais comentários!

Kantéba Camara-Sissoko, Manifestante — RFI

O incidente reflete tensões mais amplas sobre imigração e identidade na França, onde Saint-Denis, subúrbio diverso ao norte de Paris, serve como exemplo. Sophie Tayaya, engenheira nuclear de 30 anos, disse aos repórteres que vê "um clima na França que está se tornando cada vez mais racista", onde políticos são atacados com base na cor da pele, não em suas ideias.

O CNews afirma que não houve comentários racistas e alega que trechos polêmicos foram "cortados e tirados do contexto". O canal, propriedade do magnata da mídia Vincent Bolloré, tem sido comparado à Fox News por sua programação de direita e aparições controversas de convidados.