A República Democrática do Congo começará a receber nacionais de terceiros países deportados pelos Estados Unidos a partir de abril, anunciou o governo congolês no domingo. O acordo torna o Congo a mais recente nação africana a integrar a rede em expansão de Washington de acordos de deportação sob a política migratória da administração Trump.

O Ministério da Comunicação do Congo descreveu o esquema como um "mecanismo temporário de recepção" para migrantes que serão abrigados em instalações designadas em Kinshasa, sob supervisão administrativa, de segurança e humanitária. O governo enfatizou que os Estados Unidos cobrirão todos os custos logísticos e técnicos por meio de agências especializadas, sem onerar o tesouro público congolês.

O acordo cria um paradoxo marcante. O Congo abriga atualmente mais de 7 milhões de deslocados internos que fogem de conflitos entre forças governamentais e a milícia M23, apoiada por Ruanda. Quase 25 milhões de congoleses enfrentavam insegurança alimentar severa em novembro de 2025, segundo o Programa Mundial de Alimentos. Agora, Kinshasa se prepara para receber pessoas expulsas dos EUA sem qualquer ligação com o país.

"O Congo não é um depósito para receber indivíduos rejeitados em outros países"

O Congo não é um depósito para receber indivíduos ou pessoas rejeitadas em outros países. Nosso país não tem infraestrutura suficiente para acomodar esse tipo de pessoas.

Timothée Mbuya, Justicia ASBL — RFI

Grupos da sociedade civil criticaram a opacidade do acordo, observando que nem a população congolês nem os parlamentares foram consultados. Cada caso de deportado passará por análise individual de acordo com a lei congolês e requisitos de segurança nacional, sem transferências automáticas autorizadas, afirmou o governo.

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