Três peacekeepers indonésios que serviam na Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) morreram em dois incidentes separados dentro de 24 horas, marcando o período mais mortal para as forças da ONU desde que o atual conflito entre Israel e Hezbollah se intensificou há quase um mês.
Dois peacekeepers foram mortos na segunda-feira, quando uma explosão de origem desconhecida destruiu o veículo em que estavam perto do município de Bani Haiyyan, no sul do Líbano. Um terceiro peacekeeper ficou gravemente ferido e um quarto sofreu ferimentos no atentado.
As mortes foram precedidas por outro incidente fatal na noite de domingo, quando um projétil atingiu uma posição da UNIFIL perto da aldeia de Adchit al-Qusayr, matando um peacekeeper indonésio e ferindo outros três. Ambos os projéteis foram descritos como de origem desconhecida.
A UNIFIL lançou investigações sobre ambos os incidentes, mas ainda não identificou quem foi responsável pelos ataques. A força de paz opera ao longo da Linha Azul, a fronteira de fato entre o Líbano e Israel, onde monitora as hostilidades e ajuda a manter a estabilidade em colaboração com o exército libanês.
Estendemos as nossas mais sinceras condolências à família, amigos e colegas desses bravos peacekeepers que deram suas vidas em serviço da paz.
UNIFIL — BBC
As mortes ocorreram enquanto Israel anunciava planos de intensificar operações terrestres e aéreas contra o Hezbollah, a milícia e partido político apoiado pelo Irã que lançou foguetes em direção a Israel. A escalada segue-se à morte do líder supremo do Irã no início deste mês, o que levou o Hezbollah a lançar ataques retaliatórios em 2 de março.
A França convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para abordar as mortes dos peacekeepers, enquanto a Espanha também condenou os ataques. O secretário-geral da ONU, António Guterres, exigiu responsabilização pelos chamados incidentes recentes que colocaram em risco a segurança dos peacekeepers.
A violência tem cobrado um alto preço no Líbano desde o início das hostilidades. Autoridades libanesas relatam mais de 1.200 mortos, incluindo 124 crianças, desde que o cessar-fogo de novembro de 2024 foi rompido. O ministério da Saúde libanês registrou 1.238 mortes no total desde o início da atual fase de combates.
A UNIFIL enfatizou que ataques deliberados contra peacekeepers constituem graves violações do direito internacional humanitário. A força, estabelecida em 1978, já perdeu 339 peacekeepers desde sua criação, tornando-se uma das missões mais perigosas da ONU.
Israel acusou tanto a UNIFIL quanto o exército libanês de não terem impedido que o Hezbollah mantivesse posições no sul do Líbano, alegando que a milícia não cumpriu os termos do cessar-fogo, que exigiam sua retirada da região fronteiriça. As forças israelenses realizaram ataques quase diários a alvos do Hezbollah, apesar do cessar-fogo nominal.
O exército israelense anunciou na terça-feira que havia aberto uma investigação sobre as mortes dos peacekeepers, embora não tenha assumido responsabilidade pelos incidentes. No início deste mês, quatro soldados ganeses da UNIFIL ficaram feridos quando sua base foi atingida, destacando os riscos contínuos enfrentados pelas forças internacionais na região.
A BBC aborda a história com base nos detalhes factuais das mortes dos peacekeepers e no contexto mais amplo do conflito. A cobertura enfatiza a resposta investigativa da UNIFIL e as obrigações legais internacionais de proteger o pessoal da ONU.
A CBC centra-se na cronologia dos incidentes e sua ligação com o conflito Israel-Hezbollah. A emissora destaca o apelo da ONU para que todas as partes respeitem o direito internacional e garantam a segurança dos peacekeepers.
A France 24 destaca a resposta diplomática da França ao convocar uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. A cobertura enfatiza a condenação internacional e a necessidade de responsabilização pelos ataques aos peacekeepers.