O presidente Donald Trump apagou uma imagem gerada por IA que o retratava como Jesus Cristo de sua conta no Truth Social na segunda-feira, após enfrentar críticas generalizadas de líderes religiosos e apoiadores conservadores, que classificaram a publicação como blasfema.
A imagem mostrava Trump trajando uma túnica vermelha e branca, tocando a testa de uma pessoa doente com uma luz emanando de sua mão e cabeça. Uma bandeira americana tremulava ao fundo enquanto figuras olhavam para cima em reverência. A publicação permaneceu visível por mais de 12 horas antes de ser removida.
Pensei que era eu posando como médico. Tinha a ver com a Cruz Vermelha. Era para ser eu, como médico, curando pessoas, e eu de fato curo pessoas.
Donald Trump — Mercopress
A publicação controversa surgiu durante um confronto sem precedentes entre Trump e o Papa Leão XIV sobre a guerra em andamento no Irã. Horas antes de compartilhar a imagem, Trump lançou um ataque ácido ao pontífice, que vinha criticando a operação militar EUA-Israel iniciada em 28 de fevereiro.
O Papa Leão é FRACO em matéria de crime e terrível em política externa. Não quero um Papa que critique o presidente dos Estados Unidos porque estou fazendo exatamente o que fui eleito, em uma VITÓRIA ESmagadora, para fazer.
Donald Trump — Mercopress
O Papa Leão XIV, nascido em Chicago e com dupla cidadania EUA-peruana, respondeu a bordo do avião papal enquanto iniciava uma turnê de 11 dias pela África. O pontífice tem sido vocal em sua oposição ao que chama de ameaça de Trump de destruir "uma civilização inteira".
Não tenho medo do governo Trump nem de falar alto sobre a mensagem do Evangelho. Não somos políticos. Não vemos a política externa da mesma perspectiva. Muitas pessoas inocentes foram mortas, e acredito que alguém deve se levantar e dizer que há um caminho melhor.
Papa Leão XIV — Mercopress
Cristãos conservadores, tradicionalmente entre os maiores apoiadores de Trump, expressaram indignação com a imagem de Jesus. A reação destacou potenciais divisões na base religiosa de Trump em um momento em que alguns apoiadores já questionam o conflito no Oriente Médio.
Não sei se o presidente achou que estava sendo engraçado ou se está sob influência de alguma substância ou qual outra explicação possível ele poderia ter para essa blasfêmia INACEITÁVEL. Ele precisa remover isso imediatamente e pedir perdão ao povo americano e, depois, a Deus.
Megan Basham, jornalista conservadora — Bangkok Post
Trump tem cada vez mais abraçado imagens messiânicas desde sobreviver a uma tentativa de assassinato em julho de 2024. Sua conselheira espiritual, Paula White-Cain, recentemente o comparou a Jesus durante um evento de Páscoa na Casa Branca, observando como ambos foram "traídos, presos e falsamente acusados".
O presidente também intensificou seus ataques ao Papa Leão XIV, alegando que o pontífice foi eleito apenas por sua nacionalidade e afirmando que "se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano". A Conferência dos Bispos Católicos dos EUA rejeitou esses comentários como ataques inadequados ao Santo Padre.
O confronto representa um rompimento extraordinário nas relações entre a Casa Branca e o Vaticano, com estudiosos da religião observando como a controvérsia poderia afastar ainda mais eleitores católicos já preocupados com o custo humanitário do conflito no Irã.
A France 24 enquadra essa história como uma verificação de fatos em seu segmento 'Verdade ou Mentira', enfatizando a análise do comportamento controverso de Trump nas redes sociais. Sua abordagem reflete o ceticismo europeu em relação à mensagem religiosa de Trump e preocupação com as normas democráticas dos EUA, posicionando a história como parte de questões mais amplas sobre conduta presidencial e a mistura entre autoridade política e religiosa.
A Mercopress oferece cobertura abrangente focando nas implicações diplomáticas do confronto Trump-Papa, refletindo o interesse latino-americano na política vaticana devido à maioria católica da região. Sua abordagem destaca o caráter inédito da disputa e as origens de Chicago do Papa Leão XIV, mostrando como isso afeta as relações EUA-América Latina e as comunidades católicas em todo o continente.
O Bangkok Post enquadra a história pela perspectiva das sensibilidades religiosas e mensagens políticas, refletindo o foco da mídia asiática em como controvérsias domésticas americanas afetam a percepção global da liderança dos EUA. Sua cobertura enfatiza a reação negativa entre os próprios apoiadores de Trump, sugerindo preocupação com a estabilidade política americana e suas implicações para as relações internacionais na região Ásia-Pacífico.