A Europa tem aproximadamente seis semanas de combustível de aviação restantes antes que os cancelamentos generalizados de voos comecem, segundo o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia. A crise decorre do fechamento efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã há mais de seis semanas, bloqueando uma rota vital de exportação que normalmente supre três quartos das importações europeias de combustível de aviação.
Posso dizer que em breve ouviremos notícias de que alguns voos da cidade A para a cidade B podem ser cancelados devido à falta de combustível de aviação
Fatih Birol, Diretor-Executivo — Agência Internacional de Energia
O relatório mensal sobre o mercado de petróleo da AIE identifica as exportações da região do Golfo como a maior fonte de combustível de aviação para os mercados globais. O bloqueio iraniano do estreito veio em resposta a ataques dos EUA e de Israel, criando, segundo a agência, o que eles descrevem como jogar "uma chave de boca proverbial nos mecanismos internos dos mercados de combustível de aviação."
Os países europeus estão correndo para substituir os suprimentos do Oriente Médio com importações dos Estados Unidos e da Nigéria. A AIE relata uma aceleração rápida nas exportações de combustível de aviação dos EUA nas últimas semanas, mas alerta que esses envios substituiriam apenas pouco mais da metade das perdas de suprimentos do Golfo, mesmo que todos fossem destinados à Europa.
As companhias aéreas já estão sentindo a pressão. A KLM anunciou que cortaria 160 voos no próximo mês devido aos altos preços do querosene, embora a transportadora holandesa tenha enfatizado que isso representa menos de 1% de sua programação e decorre de restrições financeiras, e não de falta de suprimentos.
Enquadra a crise como uma perturbação econômica global que afeta os consumidores europeus por meio de preços mais altos de passagens e possíveis cancelamentos de voos. Destaca o impacto na temporada de viagens de verão que se aproxima e posiciona a Europa como vulnerável a interrupções no fornecimento do Oriente Médio, refletindo preocupações francesas sobre segurança energética e soberania econômica.
Adota uma abordagem equilibrada, focando na preparação do governo e na resposta da indústria, destacando as garantias de autoridades britânicas sobre a estabilidade atual do fornecimento. Enfatiza a análise técnica e o planejamento de contingência, refletindo o foco do Reino Unido, pós-Brexit, na resiliência econômica e em seu papel como um grande centro de aviação que requer segurança no fornecimento.
Isso afeta um número limitado de voos dentro da Europa que, devido ao aumento dos custos do querosene, atualmente não são mais financeiramente viáveis de operar. Não há escassez de querosene
Porta-voz da KLM
A análise da AIE apresenta cenários preocupantes para a aviação europeia. Se a Europa não conseguir substituir mais de 50% de suas importações do Oriente Médio, podem surgir escassez física em alguns aeroportos até junho, resultando em cancelamentos de voos. Mesmo que três quartos dos suprimentos possam ser substituídos, interrupções semelhantes ainda poderiam ocorrer até agosto.
A crise coincide com a aproximação da temporada de viagens de verão, quando a demanda costuma atingir o pico. As refinarias em grandes países exportadores, incluindo Coreia do Sul, Índia e China, enfrentam seus próprios desafios, pois dependem fortemente de importações de petróleo bruto do Oriente Médio, que agora estão interrompidas.
Autoridades do governo do Reino Unido afirmam que estão trabalhando com fornecedores de combustível e companhias aéreas para garantir a continuidade das operações, observando que as transportadoras britânicas não relatam interrupções atuais de suprimentos. A Airlines UK, entidade representativa do setor, está discutindo medidas de contingência com o governo, incluindo possíveis alívios regulatórios.
O conflito entre EUA e Irã que desencadeou a crise começou com ataques no final de fevereiro. Uma trégua de duas semanas acordada na semana passada já colapsou, com negociações indiretas mediadas pelo Paquistão ainda em andamento. Os futuros do petróleo Brent permanecem mais de 30% acima dos níveis pré-guerra, aumentando a pressão financeira em todo o setor de aviação.