As forças israelenses anunciaram no sábado que estabeleceram uma 'linha amarela' de demarcação no sul do Líbano, espelhando o sistema de fronteira usado para dividir Gaza em zonas controladas militarmente. O anúncio marca a primeira referência oficial a tal linha desde que uma trégua de 10 dias entrou em vigor na quinta-feira entre Israel e o Hezbollah.
O exército israelense justificou a medida alegando que forças haviam identificado militantes que 'violaram os entendimentos do cessar-fogo e se aproximaram das tropas ao norte da Linha Amarela de uma forma que representava uma ameaça imediata'. As tropas israelenses responderam atacando o que descreveram como células terroristas em várias áreas do sul do Líbano.
Ações tomadas em legítima defesa e para remover ameaças imediatas não são restritas pelo cessar-fogo
Exército israelense — declaração
O sistema de linha amarela divide Gaza desde outubro, criando zonas separadas sob controle militar israelense e administração do Hamas. As forças israelenses rotineiramente atiram em qualquer pessoa que se aproxime da linha em Gaza e já demoliram centenas de casas dentro de sua zona controlada, matando pelo menos 773 pessoas e ferindo mais de 2.000 desde que o cessar-fogo começou.
No Líbano, a demarcação se estende até 10 quilômetros da fronteira em algumas áreas, abrangendo 55 vilarejos que, segundo autoridades israelenses, permanecerão sob seu controle. Moradores dessas áreas foram proibidos de retornar às suas casas, enquanto tratores israelenses continuam demolindo prédios sob o pretexto de destruir infraestrutura do Hezbollah.
Enquadra a 'linha amarela' israelense como uma expansão agressiva de táticas de ocupação estilo Gaza no Líbano, enfatizando o conceito de 'gazificação' e traçando paralelos com campanhas sistemáticas de demolição. Destaca o deslocamento civil e violações israelenses, apresentando a posição do Hezbollah como defensiva.
Descreve as ações israelenses como uma expansão de táticas de invasão e enfatiza o impacto humanitário sobre civis libaneses. Apresenta a 'linha amarela' como justificativa para alvos e retrata declarações israelenses sobre 'não terminar o serviço' como evidência de intenções agressivas contínuas.
Dá ênfase à natureza sistemática das táticas israelenses ao comparar diretamente o Líbano com a destruição de Gaza, destacando a transformação do território em zonas de operação militar. Foca nas vítimas civis e apresenta a 'linha amarela' como uma ferramenta de controle territorial, não de segurança.
Apesar da trégua, artilharia israelense atingiu no sábado as cidades libanesas de Beit Leif, Qantara e Touline. Os ataques ocorreram enquanto dezenas de milhares de famílias libanesas deslocadas tentavam voltar para casa, muitas encontrando suas casas destruídas ou severamente danificadas. Uma avaliação preliminar constatou que quase 40 mil casas foram destruídas ou danificadas durante o conflito de seis semanas.
Há destruição e é inabitável. Estamos pegando nossas coisas e indo embora de novo
Fadel Badreddine, deslocado de Nabatieh — Al Jazeera
O acordo de cessar-fogo foi feito para interromper as hostilidades entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, após uma guerra que começou em 2 de março e matou quase 2.300 pessoas, segundo autoridades libanesas. O conflito incluiu enormes ataques aéreos israelenses em todo o Líbano e uma invasão terrestre do sul.
O Hezbollah alertou que mantém o 'dedo no gatilho' em caso de violações israelenses, enquanto o presidente libanês Joseph Aoun enfatizou que negociações diretas com Israel são cruciais para consolidar o cessar-fogo e garantir a retirada israelense dos territórios ocupados no sul.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, havia dito que o exército recebeu instruções para demolir os vilarejos libaneses na fronteira com base nos modelos de Beit Hanoon e Rafah
Nour Odeh, correspondente da Al Jazeera — reportando de Ramallah