Um júri federal de Manhattan decidiu, nesta quarta-feira, que a Live Nation Entertainment e sua subsidiária Ticketmaster operaram um monopólio ilegal em grandes casas de espetáculos, infligindo uma derrota significativa à maior empresa de entretenimento ao vivo do mundo em um caso de antitruste amplamente observado.
O veredicto veio após quatro dias de deliberação em um processo movido por dezenas de estados norte-americanos e o Distrito de Columbia. O júri concluiu que a Live Nation usou sua dominância de mercado para suprimir a concorrência, impedindo casas de espetáculos de usar múltiplos vendedores de ingressos e retaliando contra aquelas que tentaram fazê-lo.
É hora de responsabilizá-los
Jeffrey Kessler, advogado dos estados
Kessler caracterizou a Live Nation como um "valentão monopolista" que aumentou os preços para os consumidores. O júri determinou que o Ticketmaster cobrou a mais dos compradores em US$ 1,72 por ingresso, embora o juiz ainda não tenha decidido o valor total das indenizações.
A Live Nation controla 86% do mercado de concertos e 73% do mercado geral de eventos ao vivo, incluindo esportes. A empresa gera mais de US$ 22 bilhões em receita anual e possui, opera ou controla a reserva de centenas de casas de espetáculos em diversos países.
Enquadra o veredicto como uma prestação de contas há muito devida a um 'valentão monopolista' que explorou consumidores por décadas. Destaque para a dominância de mercado da empresa e comunicações internas que mostram desprezo pelos clientes, posicionando a decisão como uma vitória para a proteção do consumidor contra abusos corporativos.
Apresenta o veredicto como um marco legal significativo, mantendo uma cobertura equilibrada de ambos os lados do argumento. Foca nos aspectos processuais e nos próximos passos do caso, refletindo a perspectiva do Canadá como um país vizinho afetado pelas operações globais da Live Nation, mas não diretamente envolvido na aplicação antitruste nos EUA.
Relata o veredicto de forma factual, observando que o alcance global da Live Nation se estende à Austrália. Enfatiza as implicações internacionais da ação antitruste dos EUA contra uma empresa que domina o entretenimento ao vivo 'nos EUA, na Austrália e além', refletindo preocupações sobre como monopólios corporativos americanos afetam mercados australianos.
Foca nas implicações de mercado e nas movimentações de ações, refletindo o papel de Singapura como um centro financeiro regional. Destaque para as mudanças no cenário competitivo e os impactos potenciais nos negócios, em vez de ângulos de proteção ao consumidor, consistente com uma perspectiva orientada para o mercado sobre a aplicação antitruste.
Enquadra o veredicto dentro de preocupações mais amplas sobre o poder corporativo americano e a aplicação de leis antitruste sob diferentes administrações. Observa a coalizão de 'estados vermelhos e azuis' trabalhando juntos, refletindo o interesse de Hong Kong na dinâmica política dos EUA e suas implicações econômicas globais.
O julgamento expôs comunicações internas da empresa que se mostraram prejudiciais à defesa da Live Nation. Os procedimentos revelaram mensagens do executivo Benjamin Baker, que chamou alguns preços de "escandalosos", referiu-se aos clientes como "tão estúpidos" e afirmou que a empresa estava "roubando eles descaradamente, querida". Baker, que desde então foi promovido a um cargo executivo no setor de venda de ingressos, testemunhou que as mensagens eram "muito imaturas e inaceitáveis".
O CEO Michael Rapino depôs durante o julgamento, respondendo a perguntas sobre o fiasco de venda de ingressos da Swift em 2022, quando os sistemas do Ticketmaster caíram durante as pré-vendas da turnê Eras. Rapino atribuiu a falha a um ataque cibernético.
A defesa da Live Nation baseou-se no argumento de que o sucesso não viola a lei antitruste. O advogado da empresa, David Marriott, sustentou que artistas, times esportivos e casas de espetáculos determinam os preços e práticas de venda de ingressos, e não a Live Nation em si.
Sucesso não é contra as leis antitruste nos Estados Unidos
David Marriott, advogado da Live Nation
O Departamento de Justiça dos EUA já havia chegado a um acordo separado com a Live Nation em março, obrigando o Ticketmaster a abrir o sistema de venda de ingressos em 13 anfiteatros para outros fornecedores e proibindo retaliações contra casas de espetáculos que recusassem seus serviços. No entanto, grupos do setor criticaram o acordo por considerá-lo insuficiente.
As ações da Live Nation caíram 6,3% após o veredicto, enquanto concorrentes como Vivid Seats e StubHub tiveram alta de 9,3% e 3,5% em suas cotações, respectivamente. A empresa estima que as possíveis indenizações sejam inferiores a US$ 350 milhões e reservou US$ 280 milhões para um eventual acordo com os estados.
O caso representa o desfecho de décadas de críticas à dominância de mercado do Ticketmaster. A banda Pearl Jam travou uma batalha famosa contra a empresa nos anos 1990, apresentando uma queixa antitruste ao Departamento de Justiça, que foi rejeitada. O atual desafio legal ganhou força após a crise de venda de ingressos da Swift, que intensificou o escrutínio público sobre a aquisição do Ticketmaster pela Live Nation em 2010.