O Papa Leão XIV chegou a Bamenda na quinta-feira, trazendo a primeira intervenção de alto nível do Vaticano na crise anglófona de Camarões — um conflito separatista que grupos humanitários classificam como uma das emergências mais negligenciadas do mundo.
O pontífice presidiu um encontro inter-religioso que reuniu líderes religiosos e tradicionais de diferentes divisões linguísticas, incluindo um chefe tradicional de Mankon, um moderador presbiteriano, um imã e uma freira católica. O encontro destacou esforços de construção da paz em nível local que operam de forma discreta ao longo dos nove anos de conflito.
Combatentes separatistas declararam uma trégua de três dias antes da visita papal, com o porta-voz da Aliança pela Unidade, Lucas Asu, afirmando que a pausa refletia o compromisso com a dignidade humana mesmo em meio ao conflito em andamento. Ele enfatizou que a visita deveria permanecer espiritual, e não um endosso político.
Estou tão feliz por ele ter escolhido Bamenda depois de todos esses anos de crise. Ao pisar o solo de Bamenda, sei que ele nos trará a paz
Florence, moradora de Bamenda — RFI Afrique
A crise tem origem no legado colonial de Camarões. Após a Primeira Guerra Mundial, o território foi dividido entre a França e a Grã-Bretanha, criando divisões linguísticas e administrativas duradouras. Em 1961, as regiões anglófonas votaram pela união com o Camarão francófono, mas a população de língua inglesa há muito reclama de marginalização política e negligência econômica.