A Rússia lançou um dos bombardeios aéreos mais intensos das últimas semanas contra a Ucrânia, disparando quase 700 drones e dezenas de mísseis que mataram pelo menos 16 pessoas e feriram mais de 100 em várias cidades.
O ataque durou da noite de quarta-feira até a manhã de quinta-feira, atingindo áreas residenciais em Quieve, Dnipro, Odessa e outras cidades ucranianas. Entre os mortos estava uma criança de 12 anos em Quieve, onde pelo menos quatro pessoas foram mortas e mais de 50 ficaram feridas.
As defesas aéreas ucranianas interceptaram 636 drones e vários mísseis, mas o volume avassalador sobrecarregou os sistemas defensivos. O ataque envolveu 19 mísseis balísticos e múltiplos mísseis de cruzeiro, com a maioria dos mísseis balísticos direcionados à capital.
Mais uma noite provou que a Rússia não merece qualquer alívio na política global ou o levantamento de sanções
Volodymyr Zelenskyy, Presidente da Ucrânia — X
Em Quieve, equipes de emergência combateram incêndios em prédios residenciais de apartamentos enquanto procuravam sobreviventes nos escombros. O ataque empregou a tática de "duplo ataque" da Rússia, lançando mísseis subsequentes em locais de resgate para maximizar as vítimas entre os socorristas.
A NPR destaca o alvo em civis e o impacto humanitário, enquadrando o ataque como parte da campanha sistemática da Rússia contra não combatentes. A emissora destaca a necessidade desesperada da Ucrânia por sistemas ocidentais de defesa aérea, posicionando os EUA como um provedor crucial, mas potencialmente insuficiente, de ajuda militar.
A RFI contextualiza o ataque dentro dos esforços diplomáticos europeus, destacando as recentes reuniões de Zelenskyy com líderes da UE e o papel da França no apoio às defesas aéreas ucranianas. A perspectiva francesa enfatiza a necessidade de unidade europeia sustentada e pressão por sanções à Rússia.
O Público enquadra o ataque como uma quebra de trégua de Páscoa e enfatiza a solidariedade da UE por meio da condenação de António Costa, refletindo a posição de Portugal dentro do consenso europeu sobre manter pressão sobre a Rússia. A publicação destaca o imperativo moral de sanções contínuas e apoio à Ucrânia.
O Economic Times enquadra o ataque por uma lente militar técnica, enfatizando a escala e a mecânica do assalto com números detalhados de vítimas e respostas defensivas, refletindo a posição de neutralidade estratégica da Índia no conflito. Essa cobertura medida alinha-se ao cuidadoso equilíbrio de Nova Délhi entre manter laços com a Rússia e aliados ocidentais, evitando tomar partido na confrontação geopolítica mais ampla.
A cobertura da mídia saudita foca no alvo da infraestrutura portuária, destacando impactos econômicos e logísticos em vez de implicações militares ou políticas mais amplas, refletindo a ênfase do Reino na estabilidade regional e preocupações com segurança energética. Essa abordagem alinha-se à postura pragmática da Arábia Saudita no conflito, priorizando considerações econômicas e evitando retórica inflamatória que possa complicar suas relações com a Rússia e parceiros ocidentais.
Meios turcos enfatizam o momento dos ataques após a trégua de Páscoa e a turnê diplomática europeia de Zelenskyy, enquadrando as ações da Rússia como deliberadamente provocativas e minando os esforços de paz. Essa perspectiva crítica reflete a posição complexa da Turquia como membro da OTAN que se posicionou como potencial mediador, vendo as ações russas de escalada como ameaças às suas iniciativas diplomáticas e metas de estabilidade regional.
O bombardeio ocorreu enquanto a Ucrânia enfrenta escassez crítica de sistemas avançados de defesa aérea, especialmente mísseis Patriot de fabricação americana. Zelenskyy havia passado as 48 horas anteriores visitando a Alemanha, a Noruega e a Itália em busca de equipamentos defensivos adicionais.
Dnipro sofreu pelo menos três mortes e 27 feridos por ataques de mísseis em prédios residenciais, com cinco pessoas em estado crítico. O porto de Odessa, no Mar Negro, registrou oito mortos e mais de uma dezena de feridos.
O grande ataque marcou uma escalada após semanas de reduzida atividade aérea russa, após uma campanha invernal que atingiu a rede elétrica da Ucrânia. O Ministério da Defesa da Rússia mais tarde afirmou que suas forças haviam interceptado 207 drones ucranianos durante a noite em várias regiões russas.
O momento coincidiu com negociações de paz estagnadas, enquanto a atenção de Washington se voltou para o conflito no Irã. A Rússia não demonstrou sinais de flexibilização de sua posição enquanto a guerra entra em seu quinto ano, com mais de 15 mil civis ucranianos mortos em ataques, segundo dados da ONU.
Líderes europeus condenaram o ataque, com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, classificando-o como uma "guerra de terror" e prometendo manter a pressão sobre a Rússia. O ataque destacou a urgente necessidade da Ucrânia por sistemas de defesa aérea mais sofisticados, enquanto Moscou demonstra sua capacidade de sustentar uma guerra aérea prolongada.